
O Grande "Reset" da Ubisoft: O Que Esperar das Creative Houses e do Futuro da Empresa
A indústria de games está passando por um período de transformação profunda, e a Ubisoft acaba de anunciar uma das mudanças mais drásticas de sua história.
GAMES


Em 21 de janeiro de 2026, a gigante francesa revelou um "reset" organizacional, operacional e de portfólio com o objetivo de recuperar sua liderança criativa e garantir um crescimento sustentável.
Este movimento ocorre em um contexto de mercado AAA extremamente seletivo e competitivo, onde os custos de desenvolvimento dispararam e as expectativas dos jogadores por experiências cinematográficas nunca foram tão altas.
O Novo Modelo: As 5 Creative Houses
O pilar central dessa transformação é a divisão da Ubisoft em cinco "Creative Houses" (Casas Criativas) descentralizadas. Cada unidade terá autonomia criativa e financeira total sobre seu portfólio de marcas, o que, segundo a empresa, permitirá tomadas de decisão mais rápidas e próximas do processo de criação.
As cinco divisões são focadas em gêneros específicos:
1. Vantage Studios: Responsável pelas maiores franquias da Ubisoft, como Assassin’s Creed, Far Cry e Rainbow Six, com o objetivo de transformá-las em "marcas bilionárias anuais".
2. Creative House 2: Focada em shooters competitivos e cooperativos, incluindo marcas como The Division, Ghost Recon e Splinter Cell.
3. Creative House 3: Dedicada a experiências "Live" (jogos como serviço), como For Honor, The Crew, Riders Republic, Brawlhalla e Skull & Bones.
4. Creative House 4: Voltada para universos de fantasia e narrativos, abrangendo Anno, Rayman, Prince of Persia, Beyond Good & Evil e Might & Magic.
5. Creative House 5: Focada em jogos casuais e para a família, como Just Dance, títulos da Hasbro, Uno e jogos mobile como Hungry Shark.


Qualidade em Primeiro Lugar: Cancelamentos e Aditamentos
Para garantir que a empresa entregue apenas jogos de altíssima qualidade, a Ubisoft decidiu ser mais seletiva. O resultado imediato foi o cancelamento de seis jogos, incluindo o problemático remake de Prince of Persia: The Sands of Time e três novas propriedades intelectuais (IPs) não anunciadas. De acordo com a empresa, esses projetos não atingiram os novos critérios de excelência exigidos.
Além disso, sete jogos foram adiados para receberem mais tempo de desenvolvimento, incluindo um título não anunciado (que rumores apontam ser um remake de Assassin’s Creed IV: Black Flag) agora previsto para 2027. A estratégia agora é produzir menos jogos, mas com maior profundidade e qualidade.
Impacto Financeiro e Cortes de Custos
Essa reestruturação não vem sem dor. A Ubisoft revisou sua projeção financeira para 2026, esperando agora uma perda operacional de aproximadamente 1 bilhão de euros. O plano de corte de gastos foi intensificado, com a meta de economizar mais 200 milhões de euros nos próximos dois anos, elevando o total de cortes fixos para 500 milhões desde 2022.
Isso resultou no fechamento de estúdios em Estocolmo e Halifax, além de reestruturações em Abu Dhabi e na Massive Entertainment.


O Retorno ao Escritório
Uma das mudanças mais comentadas internamente é a obrigatoriedade de todos os funcionários retornarem ao trabalho presencial cinco dias por semana. A liderança da Ubisoft acredita que a colaboração em pessoa e a troca constante de conhecimento são essenciais para a eficiência criativa no mercado atual. No entanto, essa decisão já gerou tensões e convocações de greve por parte de sindicatos da categoria.
A Ubisoft está apostando tudo em um futuro mais enxuto e focado. Ao descentralizar o comando através das Creative Houses e priorizar a qualidade em detrimento da quantidade, a empresa espera reconectar-se com o sucesso e com a confiança dos jogadores. Se essa aposta radical trará o retorno esperado em 2027, só o tempo dirá, mas o "reset" marca o início de uma era decisiva para uma das maiores publicadoras do mundo.










